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Grupo Corpo em cartaz em Belo Horizonte

COM DANÇA SINFÔNICA E LECUONA,
TURNÊ 2016 DO GRUPO CORPO PROMOVE O ENCONTRO DE DUAS LUMINOSAS FACES DE UMA MESMA MOEDA
 
 
A primeira turnê nacional do Grupo Corpo depois da comemoração de seus 40 anos de atividade, completados ano passado, oferece ao público a rara oportunidade de apreciar, em um mesmo programa, dois lados de um dos maiores artífices das criações da companhia brasileira de dança que se tornou uma lenda nos quatro cantos do mundo: o coreógrafo Rodrigo Pederneiras.
Ouvinte contumaz de música erudita, por dez anos consecutivos – de 1981, quando assumiu o posto de coreógrafo-residente, a 1991, ano em que subiram à cena Três Concertos Variações Enigma –, Rodrigo cultivou o hábito de dedicar-se a esta paixão de uma maneira no mínimo peculiar: tudo o que ouvia, ouvia, digamos, com os pés (do bailarino que, em 1985, abdicaria do palco) e com os olhos (do coreógrafo excepcional em que, neste período, se convertia). Separava então o joio do trigo, e guardava o segundo em uma pasta especial de sua memória, para um dia, quem sabe, refinar com os bailarinos da companhia o estudo esboçado mentalmente. Cada vez que o Grupo Corpo encerrava uma temporada, o coreógrafo recorria a seu “arquivo-trigo”.  Espalhava bem as sementes e observa qual delas estava em tempo de germinar.  Meses depois, brotava um novo balé da companhia.
Em 1992, não havia sementes por germinar. Foi quando Paulo Pederneiras, diretor artístico, cenógrafo, iluminador e, desde sempre, o grande orquestrador da linguagem e da estética da companhia, veio em socorro do irmão, mudando para sempre a história do grupo. Se não havia sementes em tempo de brotar, que se criasse uma música outra, que dançasse conforme o Corpo.  E tratou de formular o convite a quem, naquele momento, considerava capaz de cumprir a tarefa como ninguém: Marco Antônio Guimarães – fundador, principal compositor e inventor dos curiosos instrumentos de outro grupo de Minas que fez História com agá maiúsculo, o Uakti, com quem já haviam trabalho em 1988 com excelente resultado, em balé que leva o nome da recém extinta oficina instrumental.
Nascia assim, em 1992, 21, um divisor de águas na trajetória do mais importante e longevo coletivo particular de dança contemporânea do país. Um marco tão fundamental que, daí para frente, as criações da companhia passariam a ter como mola motriz de sua construção temas musicais especialmente encomendados. Em regime de total liberdade de criação. Esta pré-disposição pelo (alto) risco é a chave que impõe, ‘desd’antanho’, à sua equipe de criação o mais supremo dos desafios: manter-se em estado permanente de renovação. As escolhas envolvidas neste ‘esporte radical’ são resumidas por Paulo Pederneiras em breves e definitivas palavras, num dos vídeos que marcou as comemorações dos 40 anos do grupo: “A primeira coisa é você ter admiração pelo músico que vai escolher. Acho muito mais importante, nesse caso, ser influenciado do que influenciar”.
Pois bem, de 1992 para cá, a exceção que confirma esta regra é justamente Lecuona, de 2004, e por razões muito específicas. Com a intensificação da agenda internacional, em 1999, o Grupo Corpo passou a fazer as estreias de seus espetáculos não mais anual, mas bienalmente. E nos anos pares. Ocorre que, em 2005, ano ímpar, a companhia completaria 30 anos de atividade, e Paulo Pederneiras não abria mão de coroar a data com uma trilha original. E já havia arregimentado para a tarefa a dupla (especialmente formada, diga-se) por ninguém menos que Caetano Veloso e José Miguel Wisnik.
E, bem, o Destino tem seus próprios desígnios, como sabemos. Apaixonado, do primeiro ao último acorde, pelo repertório romântico do cubano Ernesto Lecuona (1895-1963) – cuja cópia em cassete havia ganhado de presente do jornalista e crítico de arte João Cândido Galvão –, por redondos 20 anos, Rodrigo Pederneiras perseguiu uma edição original dessas canções. Encontrou em 2002. Na lendária Haigh Street, berço do movimento hippie, numa esticada por San Francisco depois de uma turnê do Corpo pelos Estados Unidos. Joia que, por força de uma contingência absolutamente circunstancial, pôde virar trigo nas mãos de Rodrigo. Rima e solução.
Mestre na arte do pas-de-deux, Pederneiras criou nada menos que uma dúzia para o balé que leva o nome do grande compositor cubano. Sucesso arrebatador, eleito pelo público em campanha na internet para fazer companhia a Imã, balé que, com trilha assinada pelo +2, comemorou os 35 do grupo. E, não por acaso, escolhido para voltar à cena este ano, desta vez ao lado de Dança Sinfônica, coreografia de Rodrigo Pederneiras sobre a trilha memorialista de Marco Antônio Guimarães, um dos balés que ano passado marcou o programa comemorativo dos 40 anos do Corpo.
BELO HORIZONTE
7 a 11 de setembro
Quarta a domingo
Palácio das Artes
(Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro (31) 3236-7400)
Quarta, 19h  •   Quinta a sábado, 20h30  •  Domingo, 19h
R$ 90 (inteira) . R$ 45 (meia)
Ingressos à venda na bilheteria do teatro (informações: 31 3236 7400)
Venda online www.ingresso.com
 
 
Saiba mais sobre os espetáculos AQUI e AQUI.
Em tempo: o Grupo Corpo acaba de iniciar uma campanha para a contribuição de pessoas físicas na manutenção da companhia. Isso mesmo! Agora você pode escolher como destino do valor devido ao imposto de renda o incentivo ao importante coletivo particular de dança contemporânea do país. Saiba como contribuir acessando www.grupocorpo.com.br  




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